O respeito que um dia as mulheres tiveram

Na Antiguidade, algumas sociedades (como a grega e a romana) eram bastante patriarcais e a condição da mulher era de submissão total ao homem. É por isso que até hoje existe esse costume do pai entrar com a filha no casamento e “entregá-la” ao noivo – a mulher é, assim,  um objeto, um bem de família passado das mãos de um homem para outro homem.

 

Na sociedade celta, as mulheres podiam escolher seus maridos – por isso, os noivos entravam sozinhos no casamento e se juntavam diante do altar. A mulher também podia se divorciar do marido sem grandes complicações, recuperando sua condição de solteira e os bens que porventura tivesse levado para o casamento. Se a mulher era de condição social inferior à do homem e não tivesse contribuído com bens materiais para a união, quando havia a separação, era calculado o tempo em que ela trabalhou no matrimônio (cozinhando, tecendo, etc) e ela recebia um valor proporcional ao tempo em que trabalhou. É o que se verifica nas Leis Brehon da antiga Irlanda.

 

Houve mulheres que atuaram como brehon, ou seja, houve juízas.  Brigh Brigaid (também grafada como Briugaid or Brughaidh) foi uma mulher que atuou como brehon na Irlanda no século I d.C. Suas decisões judiciais foram citadas como precedentes durante séculos após sua morte. Ela é mencionada no Senchus Mór, um compêndio de leis antigas da Irlanda.

 

Entretanto, com a conquista das terras celtas pelos romanos, os Druidas foram perseguidos e a cultura celta começou a desaparecer. – isso antes mesmo da Idade Média começar. Com o  avanço do Cristianismo, os costumes celtas foram sendo suprimidos, e a condição imposta à mulher foi a de submissão e dominação, conforme a visão misógina e opressora do Cristianismo romano. Então, durante a maior parte da Idade Média, a situação da mulher era de sofrimento: ter de  suportar um casamento que não escolheu  – e muitas vezes com cônjuges agressivos e sádicos.

Um marido ciumento espanca a esposa enquanto vizinhos observam, omissos. Imagem de um manuscito medieval holandês.

 

Foi somente com o surgimento do amor cortês no fim da Idade Média que esse conceito começou a mudar: uma nova visão, surgida no florescente reino da Aquitânia, com trovadores e artistas, que reverenciavam a mulher com poesia e arte, e esperavam dela o aceite de seu amor. O termo cortês significa exatamente isso: gentil, refinado, polido, com  modos de corte. Assim teria que ser um homem  se quisesse conquistar uma mulher.

Sem dúvida, isso foi o início da revolução feminina, o primeiro passo de uma longa jornada de volta ao respeito que um dia as mulheres tiveram em sociedades nobres como a celta.

 

 

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